Casamento Infantil no Brasil

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   Quando pensamos em casamento na infância nos vem sempre em mente os países orientais como os do oriente médio e a índia ou então povos africanos criticamos esses países e fechamos nossos olhas para o nosso próprio território onde os casos são igualmente alarmante, afinal se nos países do oriente as crianças, em sua grande maioria meninas, se casam obrigadas por questões geralmente culturais e tradicionais, o fato das meninas brasileiras escolherem se casar simplesmente por falta de opções, pela pobreza e por abusos,  mostra o grave problema que temos aqui. O Brasil em 2013 estava entre os países com maior numero de casamentos.

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   A ONG pro mundo, analisa o fenômeno do casamento infantil no mundo, além de outras questões relacionadas à igualdade de direitos entre os sexos, no Brasil esses casamentos geralmente são informais já que pela lei é proibido o casamento de menores de 16 e menores de 18 só podem casar com consentimento expresso de ambos os pais, segundo dados de uma pesquisa realizada pela ONG o Brasil:

“ se destaca pelo alto contraste entre o ranking elevado do país em números absolutos e a falta de pesquisas sobre o assunto. De acordo coma uma estimativa, o Brasil ocupa o quarto lugar no mundo em números absolutos de mulheres casadas até a idade de 15 anos, com 877 mil mulheres com idades entre 20 e 24 anos que se casaram até os 15 anos (11%). O Brasil é também o quarto país em números absolutos de meninas casadas com idade inferior a 18: cerca de 3 milhões de mulheres com idades entre 20 e 24 anos casaram antes de 18 anos (36% do total de mulheres casadas nessa mesma faixa etária).”

   O que leva essas meninas a se casarem é geralmente gravideze, busca por estabilidade financeira, busca por liberdade em relação aos países às vezes relacionada a abusos em casa ou controle excessivo sobre a movimentação delas por parte dos pais e como uma alternativa aos estudos devido a falta de perspectivas. Mas o que elas muitas vezes ganham com o casamento além de possíveis traumas físicos e psicológicos e uma grande defasagem educacional, em caso de gravidez problemas de saúde para elas e para os bebes, falta ainda maior de liberdade, abusos físicos e psicológicos e diminuição das oportunidades do mercado de trabalho.

   O casamento infantil no Brasil também é muito marcado no Brasil pela forte repressão da sexualidade feminina, no qual a sociedade vê como algo muito melhor a garota se casar extremamente jovem do namorar e ter parceiros sexuais não fixos. A media de idade com a as meninas casam é com 15 anos de idade e a media de idade de seus maridos e de nove anos a mais.

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   Apesar desse problema gravíssimo, não vemos mobilização das forças publicas para a solução do problema, é como se o governo simplesmente ignorasse a existência desse problema, a pesquisa realizada pela foi uma das primeiras do país acerca do assunto, mostrando a falta de iniciativa na área. Continuar lendo

Movimento ativista realiza procedimento para “amassar” seios de meninas para evitar o estupro

          O estupro, infelizmente, ainda encontra-se muito presente na sociedade e ainda é muito presente em todo o mundo. Em certas culturas, no entanto, essa prática apresenta uma frequência ainda maior, a ponto de acometer as futuras vítimas a procedimentos que buscam “prevenir” as meninas de sofrerem tal assédio. Além da dificuldade da mulher em prestar queixa e ser representada em países ocidentais sobre o caso, em países do oriente podemos observar que as mulheres precisam tomar medidas ainda mais drásticas contra o estupro. Uma prática presente no oriente que consiste em “amassar” seios de meninas com objetos quentes para que eles parem de crescer e, então, evitar que elas sejam estupradas futuramente, prática que tem crescido e vitimado milhões de mulheres.

Rich families prefer to use a ombilical belt to press the small paps to prevent them from growing.

            Esse procedimento faz parte de um movimento ativista. A ativista e sobrevivente do procedimento Leyla Hussein, disse que a ideia principal da prática é evitar o desenvolvimento do corpo feminino para ‘previnir’ possíveis estupros. Segundo o comitê social britânico “UN Woman UK”, atualmente o procedimento atinge cerca de 3,8 milhões de mulheres, em especial na África e no Reino Unido.

          Em seu site, as ativistas explicam com clareza as causas por trás da sórdida prática do achatamento. “As pessoas acreditam que os seios vão atrair os homens, que os seios vão fazer com que as meninas tenham relações sexuais precoces que podem engravidá-las, que as meninas podem crescer normalmente e continuar seus estudos depois do achatamento, que as meninas se livrarão da vergonha por já terem peitos”, explicam. Elas também abordam as consequências de uma prática que “causa muita dor e pode destruir os seios totalmente”, causar um forte trauma e provocar problemas fisiológicos.

BR92EN Breast ironing with spade in Douala Cameroon.

          É preciso apertar forte sobre os pequenos seios que começam a se desenvolver. Para cima e para baixo, como se estivesse passando roupa. Mas trata-se de um corpo infantil que é obrigado a suportar a dor desses golpes que danificam os tecidos, causam feridas, abcessos, infeções e, eventualmente, podem causar uma predisposição ao câncer. Isso acontece dia após dia, até que se obtenha o resultado desejado. Às vezes, o método escolhido é a bandagem com tecidos quentes. Costumam ser vários meses de tortura. Trata-se de uma tradição antiga em algumas regiões do oeste da África, e mais conhecida no caso de Camarões, país que chega perto dos 20 milhões de habitantes.

          Pedras, pás e pedaços de madeira são exemplos de objetos que são utilizados para realizar o procedimento, que pode durar alguns dias ou algumas semanas. Cerca de 58% dos casos são realizados pela própria mãe da vítima, que pensa que está fazendo algo bom para sua filha. De acordo com fontes, a prática pode levar ao câncer, abcessos, infecção, cistos, e até mesmo ao desaparecimento completo de um ou ambos os seios. Com frequência, o doloroso achatamento não atinge seu objetivo de proteger as meninas: muitas ficam grávidas, o que imediatamente as afasta da escola. Elas se casam ou se transformam em mães solteiras. Algumas podem tentar um aborto clandestino (o aborto só é permitido em caso de estupro ou se a saúde da mãe está em risco).

It's with this stone, put in the kitchen fire for the heat that Philomene ironed the breast of her four daughters.

06 Jan 2014, Douala, Cameroon --- A stone used for breast ironing is seen on a fire at survivor of breast ironing Julie Ndjessa's home in Douala, Cameroon, November 4, 2013. The stone is mainly used as a mortar for preparing food. New government research shows that 'breast ironing,' where the breasts of young girls are flattened using a hot stone, has seen a 50 percent decline since it was first accidentally uncovered during a 2005 survey by the German Technical Cooperation Agency (GTZ) on rape and incest in Cameroon. Picture taken November 4, 2013. REUTERS/Joe Penney (CAMEROON - Tags: SOCIETY HEALTH) --- Image by © JOE PENNEY/Reuters/Corbis

          Alguns especialistas, assim como Heleieth Saffioti, acreditam que por trás da prática do achatamento está o tabu de falar de sexo com os filhos, e que talvez a solução possa vir daí. E é exatamente este um dos caminhos que foram escolhidos para tentar impedir este costume. As tias das meninas são as encarregadas. Não são da família, e sim adolescentes que tiveram gravidez indesejada entre os 12 e 18 anos (algo que se estima que acontece a 21% das meninas).

Fontes / Para Saber Mais:

SAFFIOTI, Heleieth; O SEGUNDO SEXO À LUZ DAS TEORIAS FEMINISTAS CONTEMPORÂNEAS; Acesso em: <http://www.neim.ufba.br/site/arquivos/file/simone.pdf#page=16&gt;

The UK National Committee for UN Women. Acesso em: <http://www.unwomenuk.org/&gt;

A representação da mulher bissexual no cinema .

 No ano de 2013 , com o lançamento do filme francês Azul é a cor mais quente . Foi trazido à tona nas redes sociais e na mídia a questão da bissexualidade , porém , as mulheres bissexuais não sentiram-se contempladas pela realidade que se passa no filme . Portanto , faz-se necessário discutir as nuances do filme e que representação de mulher bissexual está sendo passada nos cinemas de maneira geral .

Cena do filme

Cena do filme “Azul é a cor mais quente” (2013).

Um estudo feito nos Estados Unidos , diz que : Embora os números exatos não estejam disponíveis, alguns estudos sugerem que muitas pessoas que fazem parte de minorias se identificam como bissexual, e não como gay, lésbica ou transgênero. Por exemplo, quando   a categoria bissexual foi adicionada para sair nas urnas como uma opção de identificação, o número total de pessoas que se  identificam tanto como gay, lésbica, bissexual ou aumentaram de 1,3% em 1990 para 2,2% em 1992 (apesar de outros fatores contribuíram para este aumento também). Há também evidência de que mais mulheres do que os homens se identificam como bissexuais . (WYMAN,2004) .

  Porém , por muitas vezes essa temática é esquecida ou deixada de lado perante as outras letras da sigla LGBT . Dentro de uma cultura universal machista e cravada no patriarcalismo , por vezes a imagem da mulher choca o telespectador pela maneira como é representada , hora como objeto sexual , hora como coadjuvante . No filme “Azul é a cor mais quente” ( versão brasileira ) que rendeu  ao seu diretor, Abdellatif Kechiche, assim como às atrizes, Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux, a Palma de Ouro no último Festival de Cannes. Traz o romance protagonizado por  uma jovem ( Adèle) ainda descobrindo sua sexualidade , que se apaixona por Emma ( Léa) , uma mulher lésbica mais velha e artista plástica .

 O que incomodou no filme , foi a falta de representatividade da real mulher lésbica , no filme , duas atrizes brancas , de corpos perfeitos vivem um romance cheio de melancolia e paixão . O que torna no dilema de como a mulher é representada no cinema , neste caso com o ar de sexualização exaltado .

Comentário no Filmow

 Em alguns comentários em uma rede social sobre filmes ( Filmow ) , faziam ressalvas essencialmente ao fato de serem “mulheres bonitas se pegando” . Destarte , o cinema nacional também traz essa mesma  imagem bissexual no cinema , mulheres brancas de corpos magros e bonitos . A representação de um objeto sexual para o deleite do olhar masculino . No filme Paraísos artificiais, Érika é uma jovem DJ, bissexual, que tem um relacionamento descompromissado com sua amiga Lara, , amiga esta que acaba morrendo de overdose em uma festa de música eletrônica, logo depois de as duas terem feito um ménage a trois com um jovem que conheceram ao acaso.  ( MOREIRA,2015)

https://i0.wp.com/media.papodecinema.com.br/2012/04/paraisosartificiais3.jpg( FONTE : PAPO DE CINEMA )

É importante ressaltar que é sempre bem vinda e um grande avanço a temática da bissexualidade feminina sendo retratada no cinema ou em qualquer outro tipo de arte . Porém , isso deve ser feito de maneira representativa e real , não apenas colocando a mulher como um acessório de beleza ou um objeto a ser sexualizado . Para isso se faz necessário toda a discussão dessa imagem , seja no cinema , nas novelas , ou na literatura . Por uma representação de mulheres bissexuais reais , não apenas no padrão branco , europeu , com corpos perfeitos e relações hiper sexualizadas .

Para Ler / Saber mais :

WYMAN, Hastings . Transgender and Bisexual Issues in Public Administration and Policy . IN SWAN,Wallace. Handbook of Gay,Lesbian, Bisexual,and Transgender Administration and Policy . 2004

MOREIRA, Tiago Almeida . Representações sobre a mulher no cinema brasileiro contemporâneo. Laborátorio de Geioconografia e Multimídias . Departamento de Geografia . UNB , 2015 .

BLOGUEIRAS FEMINISTAS . La Vie d’Adèle: notas sobre o que faz polêmica . Outubro de 2013 . Dísponível em <http://blogueirasfeministas.com/2013/10/la-vie-dadele-notas-sobre-o-que-faz-polemica/&gt; Acesso em : Novembro 2015

A PL5069 e o retrocesso na saúde pública .

 Um tema que vem sendo destaque na mídia ultimamente , são os protestos que ocorreram do último dia 31 e 30 por todo o Brasil, protagonizado por mulheres que reivindicavam a retirada de Cunha da Câmara e também a indignação frente a aprovação da PL  5069/2013 . Precisamos entender portanto o que levou milhares de mulheres as ruas , do que se trata essa Pl e por que ela significa um retrocesso na saúde pública .

Primeiramente , precisamos voltar o nosso olhar para o quadro geral da situação do aborto no Brasil , para isso , citamos um estudo do Ministério da Saúde sobre aborto e saúde pública em relação aos últimos vinte anos .

Os resultados confiáveis das principais pesquisas sobre aborto no Brasil comprovam que a ilegalidade traz consequências negativas para a saúde das mulheres, pouco coíbe a prática e perpetua a desigualdade social. O risco imposto pela ilegalidade do aborto é majoritariamente vivido pelas mulheres pobres e pelas que não têm acesso aos recursos médicos para o aborto seguro . ( MINISTÉRIO DA SAÚDE , 2009)

Não o suficiente , por ser um país com sua  maioria cristã , confunde-se problemas políticos com embasamentos morais contemplados por religião . Em suma , a opinião popular contraria ao aborto , não encara a situação como uma questão de saúde pública , mas como um ato leviano praticado com base em uma corrosão moral . Essas opiniões são representadas fortemente na câmara . Sobre isso a blogueira feminista Jarid Arraes, que esteve em uma das audiências sobre aborto na Câmara dos Deputados,  traz a seguinte fala : “O debate, como previsto, foi de fato polarizado. Na plenária, religiosos e integrantes dos movimentos contra a legalização do aborto gritavam e aplaudiam calorosamente as falas daqueles que chamavam a interrupção da gravidez de assassinato, enquanto seguravam faixas com ilustrações de bebês sorridentes. Pelos corredores, dois padres caminhavam junto aos fiéis e deputados apoiadores.” ( JARID ARRAES,2015)

 Neste contexto , a PL 5069/2013 , visa : Tipificar como crime contra a vida o anúncio de meio abortivo e prevê penas específicas para quem induz a gestante à prática de aborto. ( CÂMARA,2013) . Lendo de outra forma a  PL 5069, de autoria do próprio Cunha, dificulta o atendimento médico a mulheres vítimas de violência sexual e o acesso a pílula do dia seguinte, prevendo inclusive a eventual prisão de agentes de saúde que o fizerem.

O PL 5069/2013 impacta diretamente o atendimento as vitimas de violência sexual. No texto do relator Evandro Gussi (PV-SP), o projeto sugere que apenas seja considerada violência sexual práticas que resultam em danos físicos e psicológicos e que a prova da deverá ser realizada por exame de corpo de delito. Além disso, no voto favorável, afirma que “concordamos com o que pretende o autor da Proposição, que busca propiciar maior efetividade aos dispositivos já vigentes em nossa legislação pelo afastamento da prática do aborto, em consonância com a opinião da ampla maioria do nosso povo”. A proposta dificulta o acesso ao aborto já legalizado e o atendimento regulamentado pela Lei 12.845/2013, que dispõe sobre o atendimento obrigatório e integral de pessoas em situação de violência sexual. ( BLOGUEIRAS FEMINISTAS).

Dado ao cenário extremamente conservador brasileiro e o grave problema de saúde pública em relação as mulheres que abortam , precisamos movimentar não só milhares , mas milhões de mulheres e homens que enxergam o que salta aos olhos , a PL5069 é um grande retrocesso para saúde pública e para os direitos das mulheres .

Pra ler / Saber Mais :

BLOGUEIRAS FEMINISTAS , Aborto: o PL 5069/2013 e outros retrocessos no Congresso Nacional . Agosto de 2015 . Dísponível em : <http://blogueirasfeministas.com/2015/09/aborto-o-pl-50692013-e-outros-retrocessos-no-congresso-nacional/&gt; Acesso em : Novembro de 2015

CÂMARA DOS DEPUTADOS , PL 5069/2013 . 2013 . Dísponível em : <http://www2.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=565882&gt; Acesso em : Novembro de 2015 .

JARID ARRAES, A experiência de uma audiência sobre aborto no senado . Revista Forúm . Julho de 2015 , Dísponivel em : <www.revistaforum.com.br/questaodegenero/2015/08/06/experiencia-de-uma-audiencia-sobre-aborto-senado/> Acesso em: Novembro de 2015

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Ciência e Tecnologia. Aborto e saúde pública no Brasil: 20 anos / Ministério da Saúde, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, Departamento de Ciência e Tecnologia. – Brasília : Ministério da Saúde, 2009.

A Propaganda da Barbie

No mês passado, a Mattel lançou um comercial diferente para a boneca Barbie. Na verdade, a boneca em si é quase deixada no segundo plano (e as bonecas aparecem sequer estão com cabelo alinhado e roupas da moda, como costumamos ver nas propagandas) já que dessa vez o foco foi para propagar a mensagem de que “você pode ser qualquer coisa”. Chamado pela internet de “comercial feminista da Barbie”, o anúncio mostra meninas de mais ou menos seis a nove anos exercendo algumas profissões de adultos, como professora de faculdade, veterinária ou treinadora de time de futebol.

Ainda no final de Outubro, a Barbie inova mais uma vez em sua promoção. O que era pra ser apenas um novo comercial pra divulgar a boneca criada em parceria com a grife Moschino, o brinquedo novamente ganha a admiração dos internautas por trazer um menino brincando com a Barbie (isso mesmo, não é o Ken que está na mão dele!). O comercial foi uma tapa na cara dos propagadores de papel de gênero ao trazer uma versão mirim do estilista e diretor criativo da Moschino, Jeremy Scott, brincando de boneca com mais duas garotas, e mostrando que as crianças podem (e devem!) brincar do que quiserem. Boneca não é um brinquedo só de menina.

Há anos que a Barbie é o sonho de toda menina, e a boneca representa todo o ideal que a mulher aprende como desejável desde a infância: ela é magra, branca, loira, rica, com rosto perfeitamente simétrico, corpo em proporções absurdamente perfeitas (inclusive, praticamente impossíveis de ser reproduzidas na vida real), tem a casa dos sonhos, o carro dos sonhos, é um ícone da moda e da cultura pop e ainda namora o Ken, o boneco correspondente quase os padrões da Barbie, porém no sexo masculino. Nos padrões dos papéis de gênero machistas, a boneca é a última instância da percepção de “universo feminino”: seu mundo é cor-de-rosa e suas maiores preocupações na vida são seu cabelo e suas roupas. É no mínimo irônico que o fabricante decida investir em comerciais que vendam ideais de equidade de gênero e empoderamento da mulher, quando na verdade o seu produto continua propagando padrões inalcançáveis na cabeça das crianças. Não que mulheres padrão Barbie não tenham igual direito às outras de lutar pelo seu espaço, mas ainda é necessário mostrar para as crianças que ser gordinhas, ou baixinhas, ou não serem loiras é igualmente bonito.

Mas vendo por outro lado, as crianças não nascem com esses padrões em sua cabeça, é a forma que são criadas que os impõe. A prova disso é que não é de hoje que a Barbie vem trazendo essa mensagem de “seja o que você quiser ser”. Há pelo menos vinte anos, o fabricante tem investido nas versões profissionais da boneca: Barbie já foi cozinheira, astronauta, cirurgiã, professora, dentista, arquiteta, policial e até corredora de carro. Sua mensagem nunca foi inteiramente machista, mas o diferencial que faz essas propagandas ganharem elogios na mídia hoje é a forma brutal que a sociedade ensina as meninas cada vez mais cedo a serem fisicamente como a Barbie (e aos meninos a serem o absoluto contrário de qualquer coisa relacionada ao universo da boneca). As crianças aprendem que o homem é o macho alfa, o centro do poder da casa e qualquer toque de feminilidade é um escândalo (o nome disso é misoginia!), enquanto as mulheres, como Simone de Beauvoir denuncia em sua obra “O Segundo Sexo”, precisam manter uma fixação narcisista com a própria aparência e policiar o próprio comportamento para serem aceitas na sociedade. Mesmo que seja visando lucro, o fabricante está disposto a desconstruir alguns preconceitos relacionados a boneca, gora é necessário que a sociedade também tenha a mente aberta para garantir que as crianças possam de fato entender o slogan “you can be anything”.

“Boneca é coisa de menina!”

Fontes/Para Saber Mais

BEAUVOIR, Simone – O segundo Sexo, Paris, 1949