Movimento ativista realiza procedimento para “amassar” seios de meninas para evitar o estupro

          O estupro, infelizmente, ainda encontra-se muito presente na sociedade e ainda é muito presente em todo o mundo. Em certas culturas, no entanto, essa prática apresenta uma frequência ainda maior, a ponto de acometer as futuras vítimas a procedimentos que buscam “prevenir” as meninas de sofrerem tal assédio. Além da dificuldade da mulher em prestar queixa e ser representada em países ocidentais sobre o caso, em países do oriente podemos observar que as mulheres precisam tomar medidas ainda mais drásticas contra o estupro. Uma prática presente no oriente que consiste em “amassar” seios de meninas com objetos quentes para que eles parem de crescer e, então, evitar que elas sejam estupradas futuramente, prática que tem crescido e vitimado milhões de mulheres.

Rich families prefer to use a ombilical belt to press the small paps to prevent them from growing.

            Esse procedimento faz parte de um movimento ativista. A ativista e sobrevivente do procedimento Leyla Hussein, disse que a ideia principal da prática é evitar o desenvolvimento do corpo feminino para ‘previnir’ possíveis estupros. Segundo o comitê social britânico “UN Woman UK”, atualmente o procedimento atinge cerca de 3,8 milhões de mulheres, em especial na África e no Reino Unido.

          Em seu site, as ativistas explicam com clareza as causas por trás da sórdida prática do achatamento. “As pessoas acreditam que os seios vão atrair os homens, que os seios vão fazer com que as meninas tenham relações sexuais precoces que podem engravidá-las, que as meninas podem crescer normalmente e continuar seus estudos depois do achatamento, que as meninas se livrarão da vergonha por já terem peitos”, explicam. Elas também abordam as consequências de uma prática que “causa muita dor e pode destruir os seios totalmente”, causar um forte trauma e provocar problemas fisiológicos.

BR92EN Breast ironing with spade in Douala Cameroon.

          É preciso apertar forte sobre os pequenos seios que começam a se desenvolver. Para cima e para baixo, como se estivesse passando roupa. Mas trata-se de um corpo infantil que é obrigado a suportar a dor desses golpes que danificam os tecidos, causam feridas, abcessos, infeções e, eventualmente, podem causar uma predisposição ao câncer. Isso acontece dia após dia, até que se obtenha o resultado desejado. Às vezes, o método escolhido é a bandagem com tecidos quentes. Costumam ser vários meses de tortura. Trata-se de uma tradição antiga em algumas regiões do oeste da África, e mais conhecida no caso de Camarões, país que chega perto dos 20 milhões de habitantes.

          Pedras, pás e pedaços de madeira são exemplos de objetos que são utilizados para realizar o procedimento, que pode durar alguns dias ou algumas semanas. Cerca de 58% dos casos são realizados pela própria mãe da vítima, que pensa que está fazendo algo bom para sua filha. De acordo com fontes, a prática pode levar ao câncer, abcessos, infecção, cistos, e até mesmo ao desaparecimento completo de um ou ambos os seios. Com frequência, o doloroso achatamento não atinge seu objetivo de proteger as meninas: muitas ficam grávidas, o que imediatamente as afasta da escola. Elas se casam ou se transformam em mães solteiras. Algumas podem tentar um aborto clandestino (o aborto só é permitido em caso de estupro ou se a saúde da mãe está em risco).

It's with this stone, put in the kitchen fire for the heat that Philomene ironed the breast of her four daughters.

06 Jan 2014, Douala, Cameroon --- A stone used for breast ironing is seen on a fire at survivor of breast ironing Julie Ndjessa's home in Douala, Cameroon, November 4, 2013. The stone is mainly used as a mortar for preparing food. New government research shows that 'breast ironing,' where the breasts of young girls are flattened using a hot stone, has seen a 50 percent decline since it was first accidentally uncovered during a 2005 survey by the German Technical Cooperation Agency (GTZ) on rape and incest in Cameroon. Picture taken November 4, 2013. REUTERS/Joe Penney (CAMEROON - Tags: SOCIETY HEALTH) --- Image by © JOE PENNEY/Reuters/Corbis

          Alguns especialistas, assim como Heleieth Saffioti, acreditam que por trás da prática do achatamento está o tabu de falar de sexo com os filhos, e que talvez a solução possa vir daí. E é exatamente este um dos caminhos que foram escolhidos para tentar impedir este costume. As tias das meninas são as encarregadas. Não são da família, e sim adolescentes que tiveram gravidez indesejada entre os 12 e 18 anos (algo que se estima que acontece a 21% das meninas).

Fontes / Para Saber Mais:

SAFFIOTI, Heleieth; O SEGUNDO SEXO À LUZ DAS TEORIAS FEMINISTAS CONTEMPORÂNEAS; Acesso em: <http://www.neim.ufba.br/site/arquivos/file/simone.pdf#page=16&gt;

The UK National Committee for UN Women. Acesso em: <http://www.unwomenuk.org/&gt;

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